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Como sobrevive e cai uma sociedade: teorias e previsões do futuro

Depois de analisarmos estas três teorias podemos combiná-las para criar uma explicação mais ampla sobre por que as sociedades sobem e caem. Claro que todas as teorias têm limitações e simplificam a realidade, mas esta abordagem serve como uma ferramenta útil para analisar o passado e compreender padrões sociais.

No núcleo da sociedade estão os mais poderosos, geralmente famílias fundadoras da nação, poucas em número, talvez dez ou até cem no máximo. No Império Romano, que controlava grande parte da Europa, Anatolia e Egipto, estima-se que apenas cerca de 200 famílias detinham o verdadeiro poder. Estas famílias exercem influência através de três mecanismos centrais, que podemos chamar de pilares do poder: finanças, religião e inteligência, incluindo espionagem. A religião hoje pode ser entendida como ciência e tecnologia. A convergência destes pilares permite à elite controlar todos os aspetos da sociedade, desde escolas, militares, governos, meios de comunicação, cultura até o crime organizado.

No centro deste sistema, temos ainda as corporações, e na periferia estão as massas, o povo, que gera a riqueza através do trabalho. Quanto mais trabalham, mais riqueza é criada. Uma forma de visualizar isto é imaginar a sociedade como uma empresa: a elite são os donos, a classe média funciona como gestores e o povo como trabalhadores. Historicamente, em várias culturas chinesas, esta classe média era conhecida como funcionários-sábios ou, mais modernamente, como a classe profissional gerencial (PMC). Para simplificar, chamaremos apenas de classe média.

Quando uma sociedade está em ascensão, o sistema funciona de forma harmoniosa. As famílias da elite permitem que os gestores incentivem os trabalhadores, a democracia e a abertura prevalecem, e há uma meritocracia que recompensa talento e inovação. Os trabalhadores sentem que têm voz no sistema e todos prosperam. Por exemplo, na década de 1950, tanto os Estados Unidos como a China eram sociedades abertas no sentido social: as pessoas podiam criticar os líderes e eram encorajadas a fazê-lo, mesmo que politicamente fossem diferentes — os Estados Unidos democráticos e a China comunista.

Mas, à medida que o tempo passa, surge a sobreprodução da elite: estas famílias têm muitos filhos que ambicionam posições de poder e riqueza. A sociedade entra em dificuldades financeiras. Nesse momento, os gestores deixam de priorizar o bem-estar dos trabalhadores e começam a explorá-los, praticando comportamentos de extração de riqueza, conhecidos como rent-seeking. Um exemplo clássico é possuir um apartamento em Pequim e alugá-lo, retirando lucro sem criar valor real. Advogados ou outros profissionais especializados também funcionam assim: apenas algumas pessoas podem exercer certas funções, o que lhes permite cobrar pela exclusividade, sem produzir riqueza real.

Durante a fase de declínio, os conflitos dentro da elite aumentam e surgem facções competindo pelo poder. Estas facções mobilizam partes da classe média e do povo, levando muitas vezes a guerra civil ou revolução. Um fator externo, como invasões, geralmente é aproveitado por estas facções, que contratam mercenários. Quando a sociedade atinge a fase de colapso, está demasiado fragmentada para reagir eficazmente a ameaças externas.

Podemos resumir a dinâmica em três fases: ascensão, declínio e colapso. Na ascensão, a sociedade é aberta, com mobilidade social, inovação e debate. A democracia e a meritocracia incentivam o talento e a crítica construtiva. Na fase de declínio, a sociedade torna-se burocrática, com regras rígidas, estabilidade superficial e exploração crescente dos trabalhadores. Na fase de colapso, a sociedade torna-se autoritária e coerciva, e a sobrevivência individual se sobrepõe a tudo.

Um exemplo para entender o consentimento, a ilusão e a coerção: imaginemos que estamos a decidir onde almoçar. Na ascensão, todos discutem e votam, como decidir entre McDonald's, Pizza Hut ou KFC. Na fase de declínio, dizemos: “Vamos ao McDonald's, hoje há hambúrgueres grátis”, enganando os outros para que concordem. Na fase de colapso, o ameaçamos bater se não concordarem. Na ascensão, a empatia e o consenso unem; no declínio, a estabilidade é imposta; no colapso, a força e a sobrevivência dominam.

O ritmo destas fases é importante: a ascensão é relativamente rápida, o declínio é lento e gradual, mas o colapso é súbito, muitas vezes provocado por uma tempestade perfeita de crises simultâneas: pragas, guerras, fome ou revoluções. Durante a ascensão, os críticos são valorizados; na fase de colapso, são inimigos, e a sociedade não consegue preparar-se para ameaças externas.

Com este modelo, podemos fazer algumas previsões sobre o futuro próximo. Nos próximos cinco a vinte anos, é provável que o mundo ocidental experimente um declínio da democracia e da liberdade, crises económicas, aumento da imigração, conflitos civis e guerras externas. Por exemplo, nos Estados Unidos, Trump tem vindo a recorrer mais à força militar para resolver problemas internos. Estes fenómenos podem ocorrer em diferentes ordens, mas todos decorrem da dinâmica estrutural da sociedade.

É importante compreender que, neste modelo, não há certo ou errado, moralidade ou justiça. Trata-se de compreender como funciona o poder. As elites agem para manter a sua posição, os gestores para proteger os seus interesses e o povo reage às pressões do sistema. Ao entender estas dinâmicas, podemos analisar o presente e, eventualmente, pensar em formas de construir sociedades mais justas, baseadas numa compreensão realista de como o mundo funciona.

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