A Faixa de Gaza passou a ser na prática um estado independente desde 2005 quando os israelitas decidiram se retirar da região. Na Faixa de Gaza existiam colônias agrícolas judaicas onde viviam aproximadamente oito mil israelitas e o restante do território era habitado pelos palestinos mas o controle militar ainda era das Forças Armadas israelitas. Em 2005 o primeiro-ministro Ariel Sharon decidiu unilateralmente retirar a população israelita da Faixa de Gaza e eliminar o controle militar. Todas as colônias judaicas foram destruídas e não ficou nenhum vestígio de que os judeus haviam vivido ali durante vinte anos.
No entanto toda a infraestrutura econômica que tinha sido criada pelas colônias agrícolas judaicas e que era responsável pela exportação de produtos agrícolas da Faixa de Gaza tanto para Israel quanto para a Europa foi mantida e entregue para a autoridade Palestina como um instrumento para alavancar a economia local. A partir desse momento os palestinos destruíram todas as instalações e roubaram os equipamentos e não sobrou absolutamente nada da infraestrutura econômica. Esse foi o primeiro sintoma de que não haveria continuidade positiva naquele processo.
Em 2007 quando o Hamas assumiu o poder na Faixa de Gaza eles passaram a administrar a região como um território independente. Muitos afirmam que a Faixa de Gaza se tornou uma prisão a céu aberto e que a população palestina passava fome. No entanto olhando com atenção para as imagens e informações disponíveis é possível perceber que houve produção e distribuição de alimentos, que a população era assistida por organizações internacionais e que recursos econômicos chegaram para apoiar a vida cotidiana.
Em paralelo a essa ajuda econômica o Hamas construiu uma enorme infraestrutura voltada para o terror. Mais de quinhentos quilômetros de túneis foram construídos no subsolo da Faixa de Gaza e o Hamas se armou ao longo de vinte anos com armas e foguetes. Esses armamentos permitiram ataques regulares contra o território israelita, gerando sucessivos confrontos ao longo dos anos. Cada confronto era frequentemente uma reação aos ataques de foguetes do Hamas contra Israel.
Portanto não faz sentido caracterizar a Faixa de Gaza como uma prisão a céu aberto. A fronteira com o Egito sempre esteve vulnerável e permitiu a transferência de recursos econômicos, materiais de construção e armamentos principalmente vindos do Irã. O contexto é muito mais complexo do que uma narrativa simplista de bloqueio absoluto e sofrimento total da população. O Hamas utilizou parte dos recursos recebidos não para melhorar a vida da população civil mas para criar uma infraestrutura de guerra e terror que colocou Gaza e Israel em constante tensão.
Em suma a situação da Faixa de Gaza desde a retirada israelita em 2005 é o resultado de decisões políticas de diferentes atores e da forma como o Hamas escolheu administrar o território. A população civil sofreu e sofre com o conflito mas a responsabilidade pelo caos econômico e militar não é apenas das forças externas. A realidade é que Gaza se tornou um território controlado por uma organização que priorizou o conflito sobre o bem-estar de seus próprios habitantes e essa escolha moldou a dinâmica da região nos últimos vinte anos.