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Intifadas

A primeira intifada foi uma revolta popular que mudou profundamente a percepção internacional e local sobre o que acontecia na região. Essa revolta teve origem nas novas lideranças que surgiram na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Os líderes tradicionais estavam exilados na Tunísia depois de terem sido expulsos do Líbano por uma ação israelita em 1982. Essa situação criou um cenário de emergência e de reorganização da liderança palestina.


A invasão israelita ao Líbano em 1982 teve como objetivo empurrar os terroristas palestinos para fora do território e eliminar a liderança palestina instalada em Beirute. Como resultado, os palestinos foram para o exílio na Tunísia. A partir desse afastamento, surgiram novas lideranças locais na Faixa de Gaza, como o Hamas e a Jihad Islâmica, e na Cisjordânia surgiram líderes locais dos territórios ocupados.


O contexto regional também influenciou esses acontecimentos. Em 1990 ocorreu a Guerra do Golfo, quando o Iraque invadiu o Kuwait. A liderança palestina no exílio apoiou Saddam Hussein, o que gerou a perda de apoio da comunidade árabe internacional. Centenas de milhares de palestinos que trabalhavam nos países do Golfo foram expulsos, causando um impacto econômico severo na sociedade palestina. Essa situação forçou a liderança palestina a buscar alternativas para a estagnação política e social da população.


A primeira intifada mostrou aos israelitas que o período de relativa estabilidade e melhoria econômica para os palestinos havia terminado. O nacionalismo palestino se fortaleceu e se tornou mais relevante. Esse contexto abriu a porta para negociações entre Israel e os palestinos, iniciadas em Madrid e culminando nos acordos de Oslo em 1993. Esses acordos previam a criação de um estado palestino independente em um horizonte de médio prazo, com cinco anos de convivência e acomodação antes de decidir sobre questões fundamentais do conflito.


No entanto, tudo deu errado. Radicais de ambos os lados se recusaram a seguir o caminho do acordo. Fundamentalistas islâmicos cometeram atentados suicidas que mataram milhares de israelitas em ônibus, restaurantes, cafés e discotecas, afetando a confiança na possibilidade de um acordo duradouro. Do lado israelita, também havia radicais contrários à entrega de territórios conquistados na Guerra dos Seis Dias.


Os acordos de Oslo transferiram a administração civil da população palestina para a Autoridade Palestina. Desde 1967 até 1993, a população palestina havia sido administrada por um governo militar israelita. Com os acordos, a Autoridade Palestina passou a controlar a educação, a economia, o transporte e todos os aspectos da vida civil. Israel manteve o controle sobre territórios com minorias palestinas. Na Cisjordânia, cerca de 300 mil palestinos viviam em áreas isoladas, enquanto a Autoridade Palestina controlava aproximadamente 2,5 milhões de palestinos nos principais centros urbanos. Na Faixa de Gaza, os israelitas se retiraram totalmente em 2005, permitindo que a Autoridade Palestina assumisse o controle total do território.


Em 2006, o Hamas foi eleito para governar a Faixa de Gaza, mas a Autoridade Palestina se recusou a entregar o poder. O Hamas então tomou o controle da Faixa de Gaza com violência em 2007, consolidando seu governo sem presença israelita.


A segunda intifada, iniciada após a frustração com os acordos de Oslo, não pode ser considerada uma revolta popular nos mesmos moldes da primeira. Era uma ação organizada envolvendo forças armadas palestinas e atentados terroristas de grande escala. Israel precisou intervir militarmente, revertendo a administração de territórios e reforçando a segurança com barreiras físicas que separavam a maior parte da população judaica do território palestino.


Negociações posteriores em 2008 propuseram entregar quase toda a Cisjordânia e a Faixa de Gaza para a Autoridade Palestina em troca da cessação do conflito e do reconhecimento de Israel, mas os palestinos recusaram a proposta. Essa recusa gerou frustração nos líderes internacionais e manteve um conflito latente que perdura desde 1993 até pelo menos a década de 2010.

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